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Ano 1 | Nº 2
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Edição 2
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Os primórdios da resina epóxi
 
Inicialmente, a resina epóxi foi desenvolvida para a utilização em dentaduras e próteses dentárias.
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A versatilidade da resina epóxi, quando reagida com seus agentes de cura, garante excelente performance nas aplicações em pisos industriais, revestimentos anticorrosivos, embalagens metálicas, compósitos em fibras de vidro e carbono, etc. Porém, poucos sabem que a resina epóxi foi inicialmente desenvolvida para a utilização em próteses odontológicas.

A palavra epóxi, de origem grega, significa: [ epi ] – fora de; e [ oxi ] – oxigênio. Esta denominação coincide exatamente com a forma do grupo químico epóxi ou oxirano.

Aplicação da resina epóxi no restauro e
reposicionamento do templo de Abu Simbel

As resinas epóxi são resinas sintéticas que abrangem uma vasta gama de propriedades, desde líquidas de baixa viscosidade sem solvente até sólidas de alto ponto de fusão. Estas resinas são caracterizadas por possuírem em sua molécula um ou vários grupos epóxi. Reagida com agentes de cura, torna-se um polímero termorrígido com excelente resistência mecânica, química e de isolação elétrica.

Os agentes de cura ou endurecedores são produtos capazes de reagir com os grupos epóxi da resina formando grandes moléculas de diferentes composições. Dependendo do tipo de agente de cura utilizado, obteremos diferentes propriedades do produto final, tais como: flexibilidade, resistência a ácidos orgânicos, etc. Podemos chamar de agentes de cura de sistemas epóxi os produtos derivados das aminas: poliaminas, poliamidas e os ácidos e anidridos orgânicos. Atualmente, os principais desenvolvimentos estão ocorrendo nos tipos e propriedades dos agentes de cura.

Pesquisa e desenvolvimento

Em 1936, o Dr. Pierre Castan produziu uma resina de baixo ponto de amolecimento, cor âmbar, para reação com anidrido ftálico para gerar um produto termofixo. Dr. Castan trabalhava para a companhia De Trey Frères, sediada na Suíça, e estava desenvolvendo um produto para a fabricação de dentaduras e outras próteses odontológicas. Posteriormente, sua patente Trey-Castan foi adquirida pela empresa Ciba Pharma & Plastics Ltd (atual Huntsman) que, após apreciável trabalho de pesquisa e desenvolvimento, lançou o epóxi para aplicação industrial, inicialmente como adesivo, o Araldite.

Prótese dentária Equipe de aplicação Araldite

Em 1939, paralelamente às investigações européias, o americano Dr. S.O. Greenlee, trabalhando para a Devoe-Raynolds, pesquisou a síntese da resina para a utilização em revestimentos. A licença para produção foi adquirida pela Shell. Os créditos da síntese na forma líquida primária da resina epóxi são atribuídos aos dois doutores referenciados acima. Porém, não podemos deixar de citar outros cientistas que pesquisaram a síntese do epóxi:
• McIntosh e Wolford que, em 1920, fabricaram plásticos para aplicação como moldes e materiais impermeabilizantes.
• Em 1926, Eisleb trabalhou na reação da epicloridrina com aminas secundárias.
• Blumer, em 1930, descreveu a composição para fabricação de revestimentos com base na reação de compostos de aldeído fenólico com epicloridrina.

Formação da resina epóxi

A resina epóxi básica é obtida da reação de duas matérias-primas: o bisfenol A e a Epicloridrina, utilizando como catalisador o hidróxido de sódio, conforme ilustra a figura abaixo. Dependendo da quantidade de bisfenol A, a cadeia molecular aumenta linearmente mudando, assim, as propriedades da resina como viscosidade, flexibilidade, reatividade, etc.

Inicialmente, as resinas epóxi eram usadas como auxiliares de outros materiais e também como adesivos. A primeira aplicação importante da resina epóxi na construção civil aconteceu em 1954 quando a California State Highway Department utilizou-a para colar sinais de trânsito. Desde então o emprego das resinas epóxi na construção civil adquiriu maior importância. Graças ao seu grande poder de aderência, passaram a ocupar o posto de materiais de construção sendo utilizadas, essencialmente, em pisos industriais.

Com a aplicação destas resinas é possível obter resultados bastante favoráveis no campo da construção civil, principalmente quando utilizadas em:
- juntas flexíveis
- união entre concreto velho e concreto novo
- revestimentos de depósitos destinados a produtos agressivos
- membranas impermeabilizantes e pinturas anticorrosivas
- argamassas para reparo
- aditivos para melhorar as propriedades do concreto
- pisos industriais

Além da utilização na construção civil, as resinas epóxi também são aplicadas em outros segmentos:
- Equipamentos esportivos
- Proteção anticorrosiva para tanques de aço
- Transformadores de energia elétrica
- Primer anticorrosivo aplicado por eletrodeposição
- Casco de veleiro de competição
- Revestimentos de alta performance
- Revestimento anticorrosivo em navios
- Aplicação de tinta em pó

Equipamentos esportivos Primer anticorrosivo aplicado por eletroposição


Dr. Pierre Castan, nascido em Bern, Suíça, em 1899.

Dr. Pierre Castan lecionou nas Universidades de Genebra e Lausanne antes de unir a Gebrunder De Trey AG de Zurique, em 1928. Em 1950, Dr. Castan entrou na fábrica de tintas Stella AS, em Genebra, onde trabalhou como químico e, posteriormente, como diretor técnico. Depois de se aposentar, presidiu o congresso Fatipec de 1970 e foi nomeado membro honorário da Associação Suíça de Químicos de Tintas e Corantes. Em 1982 recebeu o prêmio Jaubert pela Universidade de Genebra. Dr. Pierre Castan faleceu em 12 de setembro de 1985 após longa doença, deixando uma grande contribuição para o mundo.

Ronny Marc Konrad
Huntsman do Brasil Participações Ltda.